Universidade
Federal de Lavras -
Programa de
Especialização em Educação Ambiental
Educação
Ambiental na Diversidade
As
potencialidades da transversalidade da Educação Ambiental
André Tavares
Gonçalves
Lavras
2013
1
Introdução
Após a perda na
qualidade de vida na década de 60, ocasionada, em grande parte, pela degradação
ambiental, em que o mundo presenciou uma série de desastres ambientais,
causando uma grande inquietação na sociedade e um descontentamento com o
descuido industrial, surgiram autores que ficaram conhecidos como parte do
movimento preservacionista, e então, alguns anos após, a ONU decidiu intervir
em todo esse sistema social industrial. Com isso, vieram novas legislações,
sistemas industriais inovadores, em respeito às abordagens ambientais,
conscientização de parcelas da sociedade, e a inclusão da educação ambiental
como matéria transversal na educação ambiental, ou seja, enquanto as outras
matérias estabelecem uma ideia de paralelismo uma com a outra, não dependendo e
não abordando os conteúdos umas das outras, a Educação Ambiental vem numa
análise transversal, ou seja, passando por todas as matérias, mas não sendo uma
matéria pré-requisito para aprovação, propriamente dita. Essa questão pode ter
lados positivos e negativos, e realmente é tema de várias discussões a
respeito, onde alguns estudiosos defendem o atual processo e outros deixam
claro que preferiam que a matéria de Educação Ambiental fosse pré-requisito e
paralelas às outras.
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Apresentação Comentada das Experiências
Partindo-se do ponto em
que estamos, e analisando a trajetória percebemos que ainda estamos nas
primeiras décadas de tentativas de conscientização por parte da sociedade, e
que o tema de educação ambiental é tratado com descaso em muitas regiões, assim
como outros temas transversais, como sexo, transporte, respeito. Porém, não
podemos deixar de valorizar os avanços alcançados e perceber que, cada vez
mais, as pessoas estão começando a se preocupar e pelo menos a conhecer essa
matéria, que é tão aplicada na prática e traz benefício para todas as pessoas.
Comparativamente à Educação Ambiental, analisando alguns artigos acadêmicos,
percebi o quanto existem vertentes de pesquisa que estudam concomitantemente
Ética e Educação Ambiental. Sempre soube que essas duas análises andavam
juntas, mas por mais que estabelecemos essa visão de senso comum, não
dimensionamos como isso pode ser um estudo científico-acadêmico, como os
estudos de Mario Grun (1996). O autor discorre sobre a dimensão ética da
educação ambiental e percebe-se o quanto é necessário uma para a efetivação da
outra. Para uma pessoa ser educada ambientalmente, é necessário que ela seja,
antes disso, uma pessoa ética.
Outrossim,
a legislação sobre o tema e a constante atualização formam a estrutura para
todos os envolvidos no processo estabeleçam critérios de condutas éticos e
ambientais,
Cumprindo as sanções jurídicas previstas
caso não ocorra a relação dessas pessoas com a lei.
Dos 5
anos de docência, participei de alguns projetos, a maioria da rede privada de
ensino e elaborei alguns também. Vou citar aqui os dois últimos, sendo que um
foi no ensino básico regular de uma escola particular em que leciono Álgebra e
Geometria e o outro foi dos alunos que estavam formando no curso técnico em
Segurança do Trabalho, onde lecionei Estatística no Senac. Na rede privada foi
um projeto em parceria com o Centro Universitário de Sete Lagoas, que visava a
Educação Ambiental, com campanhas de reciclagem, limpeza e fechava com uma
gincana valendo prêmios e pontos. Na escola participaram o 9º ano do Ensino
Fundamental II, a 1ª e 2ª série do Ensino Médio e os professores
orientaram, exemplificaram e auxiliaram durante todo o process. Na
gincana, a soma de arrecadação da escola se deu em torno de mais de uma
tonelada de lixo reciclável e óleo utilizado para produção de sabão. Os alunos
se envolveram bastante e percebemos alguma conscientização ambiental a partir
desse projeto.
No Senac elaborei 5 trabalhos
de diferentes áreas, abordando situações reais e exigindo uma elaboração de
artigo de acordo com as normas ABNT, estruturação e pesquisa com análise
estatística, com alguma vertente ambiental ou citações de ISO. Já na elaboração
dos trabalhos, fiquei surpreso com o empenho, dedicação e resultados dos
alunos. Os temas eram Micro empresa, Situação de Acidentes em empresas,
Instituições Escolares de nível técnico, Empresas S/A e situação cotidiana, em
que nesta última os alunos analisaram as contas telefônicas de algumas
famílias, para interpretar estatisticamente e inferir situações de preservação
ambiental. Finalmente, nas apresentações cheguei a ficar emocionado com o
resultado mais do que surpreendente e satisfatório. Até alguns paradigmas de senso
comum foram quebrados nessa pesquisa, demonstrando a importância de um estudo
estatístico e da Educação Ambiental, bem como a abordagem ética.
3
Conclusão
Penso que se faz necessário esforçarmos um
pouco mais como docentes, procurar uma motivação no olhos de uma criança,
adolescente ou até adulto, sempre na forma de discente, e fazer com que isso
nos dê alimento para pensarmos em propostas inovadoras, éticas, ambientalmente
educadoras e promissoras num processo de futuro próximo. Só assim para
abraçarmos com eficácia a verdadeira Educação Ambiental, que vem sendo tratada
com descaso em muitas escolas e por muitos profissionais da educação. É um fato
triste, mas é a realidade. Não precisamos ir muito longe ou pesquisar em vários
artigos sobre o tema, pois geralmente essa desvalorização da matéria educação
ambiental, nessa abordagem transversal, é deixada de lado, já que não é tão
mensurável como as outras, apesar de ser tanto ou até mais importante do que as
outras.
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Referências
GRUN, Mario. Ética e educação ambiental:
a conexão necessária. Campinas, SP: Papirus, 1996.
EDUCAÇÃO ambiental: projeto de
divulgação de informações sobre educação ambiental. Brasilia: MEC: Ibama, 1991.
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